Soja: Negócios estão parados no Brasil e produtores rurais seguem focados no plantio da safra nova – Via Notícias Agrícolas

Soja: Negócios estão parados no Brasil e produtores rurais seguem focados no plantio da safra nova – Via Notícias Agrícolas

soja negociada em chicagoPor: Fernanda Custódio. As negociações no mercado interno brasileiro da soja estão paradas. Em meio à recente queda nos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) e a acomodação do dólar, os produtores adotaram uma postura mais cautelosa em relação à comercialização da temporada 2015/16, conforme explica o consultor de grãos da INTL FCStone, Glauco Monte. Nesta quarta-feira (26), a referência para o preço da saca da soja para entrega em maio/16 ficou em R$ 74,00 no Porto de Paranaguá e em R$ 75,70/sc no terminal de Rio Grande.

“Os agricultores avançaram bastante com a comercialização quando o câmbio tocou o patamar de R$ 3,90 até R$ 4,00. Porém, diante do recuo nos valores praticados no mercado internacional e na moeda norte-americana, as negociações paralisaram. Acreditamos que no Brasil cerca de 40% da safra 2015/16 já tenha sido comprometida. E, nesse momento, os produtores estão mais focados no plantio do grão”, completa o consultor.

No caso do Mato Grosso, o maior estado produtor de soja, o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) informou que cerca de 53,1% da safra já foi negociada. Os dados são equivalentes ao mês de novembro. Já no mesmo período do ano anterior, cerca de 25,07% da safra 2014/15 havia sido comercializada, ainda conforme dados do instituto.

Já no Paraná, o índice negociado está pouco acima de 30%, segundo o último boletim informativo do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento). Em igual período de 2014, as vendas antecipadas estavam próximas de 6% da produção estimada.

Plantio x Clima

De acordo com o último levantamento realizado pela consultoria AgRural, o plantio da soja da temporada 2015/16 alcançou 70% da área projetada e é o mais lento desde 2008. O percentual está 11% abaixo da média dos últimos cinco anos e 6% menor se comparado com o mesmo período do ano anterior. Para essa safra, a estimativa é que sejam colhidas entre 101 milhões a 102 milhões de toneladas, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Ainda assim, o clima segue como uma grande preocupação dos produtores rurais. No Centro-Oeste, as chuvas permanecem irregulares e já ocasionam replantios em algumas localidades. Cerca de 89,7% da área esperada já foi cultivada em Mato Grosso, contra a média dos últimos cinco anos, de 93%.

“Temos muitos relatos de replantio, que deve ser um dos maiores dos últimos 10 anos no estado. E também observamos uma corrida para a obtenção de sementes”, ressalta o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

Em outra importante região produtora de Goiás, Rio Verde, os produtores também já relatam a necessidade de replantio. Segundo o agricultor da localidade, José Roberto Brucceli, “nunca houve tanto replantio como neste ano agrícola. Não são áreas grandes, mas quase todos os produtores precisaram replantar em pelo menos parte da propriedade”, explica.

Em contrapartida, a preocupação na região sul do Brasil é com o excesso de chuvas. No Paraná, as precipitações pesadas e o tempo nublado têm comprometido o desenvolvimento da cultura da soja, conforme sinalizam os especialistas. Em Londrina, o volume de chuvas já supera os 400 mm em novembro.

“A falta de sol também compromete a fotossíntese que, por sua vez, prejudica o desenvolvimento das plantas. Com isso, já temos uma projeção de quebra 20% na produtividade das lavouras nesta temporada”, afirma o presidente do sindicato rural do município, Narciso Pissinati.

Na região de Laguna Carapã (MS), a situação é bem semelhante, inclusive há áreas inundadas. E, além da apreensão em relação aos rendimentos das áreas, a alta umidade favorece o aparecimento de doenças fúngicas e as chuvas constantes impedem os tratos culturais.

Paralelamente, no Matopiba, região agrícola que abrange parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia as chuvas continuam irregulares e prejudicam o avanço da semeadura da soja. “Ainda é cedo falar em perdas, mas ocorreram replantios nestas áreas, uma vez que muitos produtores apostaram nas chuvas no início de novembro e como o tempo ficou seco, muitas lavouras acabaram morrendo ou tiveram falhas”, relata o agrometeorologista, da Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos.

Ainda na visão do consultor da INTL FCStone, o plantio da soja é visto com preocupação. “Ainda não podemos avaliar como quebra na safra. Temos um sinal amarelo, temos precipitações isoladas no Centro-Oeste e, no Paraná apesar das chuvas excessivas tivemos uma boa implantação das lavouras. Acredito que não chegaremos ao potencial máximo de produção, mas ainda será uma safra positiva”, acredita Monte.

Bolsa de Chicago

Devido ao feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA não houve negociação na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira (26). As negociações serão retomadas nesta sexta-feira (27), porém, a sessão será mais curta.

Fonte: Notícias Agrícolas

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