Soja: Preços no Brasil já sentem pressão da desvalorização do dólar

Soja: Preços no Brasil já sentem pressão da desvalorização do dólar

Soja: Dólar em queda pressiona cotações nos portos e reduz volume de negócios no BrasilA formação dos preços da soja no Brasil já começa a sentir os impactos da desvalorização do dólar. Nesta terça-feira (24), a moeda norte-americana registra mais uma sessão marcada por volatilidade e, pouco antes de meio-dia (horário de Brasília), era cotada a R$ 3,1290, caindo 0,3%. No entanto, já por volta das 13h, a divisa voltava a subir lentamente, com alta de 0,29%, cotada a R$ 3,16.

Paralelamente, as cotações da oleaginosa passavam por um dia de realização de lucros na Bolsa de Chicago e também trabalhavam em campo negativo, com baixas de pouco mais de 3 pontos entre os principais vencimentos. O mercado vem devolvendo parte dos ganhos dos últimos dias, quando os fundos vieram ao mercado recomprando posições, principalmente com a baixa do dólar.

Dessa forma, nos portos brasileiros, os preços da soja futura, com entregas em abril e maio, já apresentavam patamares mais baixos do que os registrados há alguns dias. Em Rio Grande, por exemplo, o produto para entrega futura valia R$ 71,50 por saca, contra R$ 74,30 no melhor momento da última semana. Já em Paranaguá, o preço trabalhava na casa de R$ 70,00, contra picos de R$ 73,50 na semana passada. O produto disponível no terminal gaúcho já valia, nesta terça, perto de R$ 69,70.

O mercado brasileiro veio perdendo força com a desvalorização da taxa cambial, iniciada na última sexta-feira (20) depois de o dólar ter registrado seu maior valor em 12 anos – R$ 3,30 – na última quinta-feira (19), motivado, principalmente, pelas tensões políticas e econômicas no Brasil.

Para o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, uma elevação dos preços da soja na Bolsa de Chicago poderia criar melhores oportunidades de negócios do um dólar fortemente valorizado frente ao real, dadas as condições mais favoráveis para o saldo de dívidas que estejam lastreadas em dólar, além de um aumento previsto para os custos de produção. “A lavoura está na fase final de colheita e o produtor hoje teme fazer vendas em reais, pois se for pagar sua dívida dolarizada ele usará muito mais soja do que há 30 dias”, explica.

No entanto, bons negócios foram concretizados no Brasil quando o dólar ainda operava acima dos R$ 3,20, haja vistas os últimos números das exportações do país no últimos 15 dias úteis, segundo números divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Nas três primeiras semanas de março, foram exportadas 3,374 milhões de toneladas de soja em grão – 366,2% a mais do que o registrado em fevereiro, com uma receita gerada de US$ 1.340,80 milhões, maior em 364,8% se comparada ao valor adquirido no mês anterior. O preço médio da tonelada, no período, foi de US$ 397,30.

Além disso, há de se observar ainda o andamento dos prêmios nos portos brasileiros, que seguem positivos. Em Paranaguá, por exemplo, os valores para os principais vencimentos de entrega variam de 44 a 60 centavos de dólar sobre os preços praticados em Chicago. O cenário vem sinalizando, portanto, que as vendas no Brasil seguem acontecendo em um ritmo considerável, porém, têm sido insuficientes para atender os compradores.

Por: Carla Mendes

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