Tambo de Leite aposta na tecnologia Compost Barn

Tambo de Leite aposta na tecnologia Compost Barn

Investir em tecnologias como a do Compost Barn foi a alternativa encontrada pelo produtor rural Pedro Librelotto de Bortoli e seu filho, engenheiro agrônomo Daniel de Bortoli, para aumentar sua produtividade.

O Compost Barn foi implantado ao final de 2001, pelos irmãos Tom e Mark Portner de Sleepy Eye, em Minnesota, nos Estados Unidos. Desde então, houve crescente interesse de produtores de leite, em Minnesota, EUA e alguns países estrangeiros na construção desses tipos de estábulos, sendo, o Brasil, um deles. A pioneira foi a Santa Andréa Agropecuária, em março de 2012.

O sistema pode ser definido como uma instalação para vacas que possui somente uma pista de alimentação, feita com corredor de concreto, ampla cama para vários animais com 30 cm de altura inicial por cabeça e uma cobertura ventilada. O tamanho é definido de acordo com a quantidade de animais instalados. A cama é composta, normalmente, de serragem ou maravalha, mas para ajudar no processo de compostagem outros produtos podem ser agregados, tais como palhas, sabugo de milho triturado, casca de arroz, casca de soja, polpa de citros, dentre outros co-produtos.

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Estes materiais devem ser aerados com grades ou inchadas rotativas, na profundidade máxima de 30 cm, no mínimo duas vezes ao dia, a fim de promover a incorporação das fezes e urina. Dessa forma, os dejetos são incorporados ao material utilizado como cama, proporcionando um aumento de temperatura que se dá através da deterioração da matéria orgânica. Este manejo é importante para dar condição de umidade, temperatura, pH, manter a cama seca e controlar a flora bacteriana. (SIQUEIRA, Alexandre Valise. Instalação do tipo “Compost Barn” para Confinamento de Vacas Leiteiras. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais, 2013).

Longevidade e produtividade são dois fatores que influenciam na lucratividade e a eficiência da propriedade. Quando se compara o Compost Barn a outros sistemas se observa melhorias significativas nos problemas de casco, lesões de pernas e pés, detecção de cio, diminuição da contagem de células somáticas (CCS) e provável aumento na produção de leite com mais qualidade, além das condições de trabalho.

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Considerando as maiores causas de descarte em propriedades leiteiras, que são: leite, reprodução, úbere e pernas e pés, o Compost Barn leva vantagem em todas, com exceção do úbere por ser pouco afetado pelo ambiente. Outra questão que desafia todo produtor leiteiro é o bem-estar animal durante o verão e o controle de altas temperaturas que sempre funcionaram como fator limitante da produtividade. Nesse sistema, ventiladores são instalados sobre a cama para mantê-la seca, o que melhora a circulação de gases da compostagem, controla a temperatura do galpão e proporciona conforto térmico às vacas.

Aliado a essa tecnologia, se mantém uma dieta rigorosa dos animais, essencial para uma boa produção. O acompanhamento é feito pelo veterinário da fazenda, sendo a dieta quase toda produzida na propriedade, com uso do sistema de irrigação.

Localizada no município de Fortaleza dos Valos, a Agropecuária Tatiana (AGT) foi uma das primeiras a implantar essa tecnologia no Estado, em meados de 2015. Atualmente possui 200 vacas em lactação, que produzem em média 6.500 litros de leite por dia, num total de 390 animais da raça holandesa. A história da AGT começou há anos atrás com o Sr. Pedro, que inicialmente investiu na agricultura, sempre de ponta, sendo pioneiro no plantio direto. Após, seu filho Daniel, agregou sua formação técnica e assumiu juntamente a administração da fazenda. Hoje, a fazenda conta com 12 funcionários para operar o tambo de leite, estando em constante evolução para verticalizar a produção leiteira e trazer mais qualidade ao produto.

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Com toda essa tecnologia em ação, a dedicação diária, o trabalho alinhado e superando os demais desafios que a produção leiteira enfrenta diariamente, a meta de pai e filho é aumentar sua produtividade, e já em abril desse ano alcançar uma média de 8 mil litros de leite por dia.

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