Tecnologias que mais impactaram a produção de soja no Brasil – Parte III

Tecnologias que mais impactaram a produção de soja no Brasil – Parte III

Tecnologias que mais impactaram a produção de soja no BrasilConfira a 3ª e última parte da série de análises de tecnologias elaborada pelo pesquisador da Embrapa Soja Londrina, o Engº Agrº Amélio Dall’Agnol. Nessa edição saiba mais sobre o controle das plantas daninhas, pragas e doenças, melhorias do maquinário agrícola e Gestão do negócio e associativismo.


CONTROLE DAS PLANTAS DANINHAS, PRAGAS E DOENÇAS

Recomenda-se integrar o controle cultural, com o biológico e o químico para uma maior eficiência no manejo fitossanitário e da mato competição. O controle químico (inseticidas, herbicidas, fungicidas) deveria ser a última alternativa, utilizado apenas quando não for possível eliminar o problema via práticas culturais ou utilização de agentes biológicos, ainda que a toxicidade dos modernos agrotóxicos é muito menor do que foi no passado.

Nos primórdios da produção de soja no sul do Brasil, o problema mais grave de manejo da cultura era o controle das plantas daninhas. Não havia muitas opções de herbicidas para o seu controle químico, razão pela qual o controle das invasoras dependia, em boa medida, do deficiente controle mecânico. Os prejuízos causados pelo deficiente controle das plantas daninhas eram significativos, problema quase inexistente atualmente com a utilização racional das cultivares transgênicas RR, resistente ao herbicida glifosato. Esta tecnologia começa a apresentar problemas por causa da resistência adquirida por algumas invasoras (buva e capim amargoso, por exemplo) ao herbicida, problema que poderia ser evitado via manejo adequado da lavoura: rotação de cultivos, por exemplo.

Pragas e doenças eram um problema menor nas décadas de 1960 e 1970. Porém, com o avanço do cultivo da soja do sul para o restante do país, pragas e doenças de ocorrência local evoluíram para problemas regionais ou nacional e se multiplicaram. Mas, assim como aumentaram os problemas, também cresceram as opções de agrotóxicos mais eficientes e seletivos para combatê-los. Técnicas de manejo cultural e biológico, também foram implementadas, reduzindo o custo ambiental e financeiro pelo menor uso de agrotóxicos.

Tecnologias que mais impactaram a produção de soja no Brasil Parte II

A principal estratégia e mais efetiva para controlar as novas doenças foi o desenvolvimento de variedades resistentes. Doenças como pústula bacteriana, mancha olho de rã e cancro da haste, foram eficientemente controladas por essa via. A exceção foi a ferrugem asiática, para cujo controle não foi encontrada no banco genético da soja uma fonte de resistência.

Um enorme esforço está sendo feito por instituições públicas e por empresas privadas, na busca por fontes de resistência, além do Germoplasma de soja, via técnicas de engenharia genética. Pela via do melhoramento genético tradicional tem-se conseguido desenvolver variedades tolerantes ao fungo, o que lhes permite tolerar a doença sem grandes perdas de produtividade, desde que o ataque não seja muito intenso. A busca pela variedade imune à ferrugem continua e poderá ser alcançada num prazo não muito distante.

Apesar do esforço para desenvolver variedades de soja resistentes aos insetos-praga, o controle destes tem sido alcançado, principalmente, via uso de inseticidas. Mais recentemente, a Monsanto desenvolveu a soja Intacta (RRBt) que controla o ataque de várias lagartas-praga da cultura (Lagarta da soja, Lagarta mede palmo, Helicoverpa armigera). Não controla, ainda, a Lagarta Spodoptera, uma das mais importantes desfolhadoras da soja segue sendo analisada para a busca por mais produtos resistentes. A pesquisa não descansa enquanto houver um problema para ser solucionado.

Enquanto isso a tecnologia Bt da soja Intacta poderá não sobreviver se os produtores não levarem a sério a recomendação do refúgio. A área de refúgio é destinada a produzir lagartas suscetíveis para cruzarem com as resistentes da lavoura Bt e gerar filhotes suscetíveis, evitando, assim, a predominância futura de lagartas resistentes.

MELHORIAS NO MAQUINÁRIO AGRÍCOLA

Não apenas as tecnologias de produção ajudaram no desenvolvimento da soja no Brasil. Melhorias nos equipamentos de trabalho também contribuíram. Semeadeiras, colhedoras e tratores mais confortáveis e eficientes deram sua importante contribuição. Hoje se planta melhor, mais rápido e com menor esforço, o mesmo acontecendo com as tarefas relacionadas à colheita e tratamentos fitossanitários.

Máquinas e equipamentos são caros, razão pela qual é preciso avaliar com critério o equipamento que se vai comprar, o qual precisa ser do exato tamanho das necessidades da propriedade.

GESTÃO DO NEGÓCIO E ASSOCIATIVISMO

Produzir bem já não é suficiente para sobreviver no campo. A maioria dos produtores que ainda estão na atividade agrícola é porque têm conseguido bons rendimentos ao longo das últimas décadas, o que lhes permitiu permanecer na atividade e sobreviver com sobras.

Além de utilizar convenientemente as tecnologias de produção, o produtor precisa, também, saber como melhor utilizar as tecnologias de gestão: como comprar bem as máquinas, os equipamentos e os insumos de produção e como vender melhor a safra. Comprar bem é facilitado quando se tem o dinheiro no bolso e se compra à vista, conseguindo descontos significativos junto aos fornecedores, para o que precisa ter-se preparado com antecedência, guardando dinheiro em tempos de fartura. É possível fazer isto sozinho, mas é mais vantajoso unir esforços com outros produtores para ganhar musculatura.

Tecnologias que mais impactaram a produção de soja no Brasil Parte I

Vender bem depende de conhecimento sobre as estratégias de funcionamento do mercado, aproveitando picos de alta para vender aos poucos ao longo do ano todo ou aproveitando um pico de alta para vender tudo.  Igual a compra de insumos, a venda da produção leva vantagens quando realizada em bloco, oferecendo grande volume de grãos. É em tempos de crise que o agricultor fica mais sensível a inovações. A necessidade obriga.

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