Trigo: uma cultura que precisa de valorização

Trigo: uma cultura que precisa de valorização

trigoO plantio do trigo esse ano aconteceu em perspectivas normais, diferente dos dois anos anteriores quando o excesso de umidade acabou prejudicando o plantio e o desenvolvimento da cultura.

Neste ano, durante todo ciclo da planta o clima também foi favorável, o que fez com que tivéssemos um bom resultado na hora da produção. Além de alta produtividade, a cultura está apresentando boa qualidade do grão, fruto da excelente tecnologia dispensada à cultura. A única possibilidade de diminuição do sucesso que a safra vem apresentando é o excesso de chuva nos períodos críticos, principalmente durante a colheita, porém as previsões são otimistas.

Com todo esse aspecto favorável em torno da produção do trigo, o preço continua deixando os agricultores receosos. O excesso de oferta no mundo e no Mercosul, mesmo que o grão desse ano mostre qualidade superior, força os valores para baixo. A alta perspectiva de produtividade na Argentina e no Paraguai é mais um fator que prejudica a venda do produto brasileiro. Além disso, o custo da produção nesses dois países é bem menor que o praticado na nossa região.

O trigo é uma cultura muito importante para economia regional. Mesmo com os desafios do preço, contribui para diluir os custos fixos que os agricultores têm rotineiramente em sua propriedade ao longo do ano. No ano de 1986, o espaço que o grão dourado ocupava nas lavouras correspondia a 40% de toda a área cultivada, e chegou a ocupar aproximadamente dois milhões de hectares. Hoje, no Rio Grande do Sul, com uma área cultivável de 6,3 milhões de hectares entre soja e milho no verão, a cultura do trigo ocupa aproximadamente 800 mil. Isso representa uma perda muito grande de potencial em geração de renda e de empregos, pois estamos ocupando, no inverno, aproximadamente 13% com a cultura principal de inverno sem esquecer que a cada 30 hectares cultivados com trigo se geram um emprego direto e um indireto.

Algumas iniciativas vindas do poder público poderiam contribuir para que o trigo recuperasse espaço no cenário nacional. Essa é a única cultura em que o Brasil ainda não é autossuficiente, e a implantação de políticas de incentivo poderia mudar essa realidade. É muito difícil para o produtor plantar sem a garantia de venda e de preço na hora da colheita, pois a cultura é de alto risco, de alto custo e os mitigadores de risco (Proagro e seguro agrícola) não são condizentes para cobrir as perdas, quando estas acontecem. Para isso, é necessário que se elenque o trigo como cultura prioritária no país. Somente neste ano agrícola serão gastos mais de 3 bilhões de reais em importação de trigo para atender a demanda do consumo nacional, valor esse que poderia ser aplicado na produção do Brasil, principalmente nas terras frias do Sul, que respondem por mais de 90% da produção nacional.

Nesse cenário a Fenatrigo se torna um importante palco de discussões. Os debates e encontros que nela acontecem chamam a atenção das autoridades para a importância do trigo no Estado. Em 1986 Cruz Alta plantou 60 mil hectares do cereal, hoje esse número está em 17 mil. Isso mostra a urgência em tratar deste assunto e de discutir à nível Federal e Estadual a cultura, o que reforça ainda mais o valor do evento. O grão precisa ser lembrado e colocado no centro das atenções, e a Fenatrigo e a Farsul vem trabalhado incansavelmente neste propósito.

Hamilton Guterres Jardim

Presidente da Comissão de Trigo da Farsul

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