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Agricultores se negam a vender soja neste início de ano

Há exatamente um ano, o comércio da soja estava mais ‘quente’ do que neste início de 2018. Os produtores estavam mais dispostos a realizar a chamada venda antecipada – em linhas gerais, quando é feito um contrato de venda garantindo a cotação atual da soja no mercado, ou é negociada a troca por insumos, comprometendo-se a realizar a entrega futura.

“Neste momento, o Mato Grosso (maior produtor do Brasil) já estaria com mais de 50% da soja vendida, mas o atual nível está em 42%. Já no Paraná, estamos de dois a três pontos percentuais atrás do ano passado, com comercialização próxima de 20%”, estima Alan Malinski, assessor técnico Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O ‘atraso nas vendas’ chama a atenção pelo fato de os estados do Centro Oeste serem os que mais antecipam suas vendas. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirma o atraso: na semana passada as vendas antecipadas de soja atingiram 42,4% da produção esperada no estado – atraso de 12,92 pontos porcentuais em relação à média das últimas cinco safras, segundo o Imea.

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Venda antecipada

O assessor técnico da CNA explica que há um bom motivo para a redução do volume comercializado: “Tivemos supersafra brasileira e americana. Com isso, os estoques aumentaram e fizeram com que os preços [internacionais] retraíssem”.

 

Existe ainda a incerteza da produção na Argentina. Terceiro maior produtor global de grãos, o país vizinho pode inclusive ter quebra de safra devido às secas. “Caso as chuvas permaneçam irregulares na Argentina, a tendência que os preços da soja subam, mas caso isso não se confirme, os produtores terão problema em comercializar toda essa soja após o inicio da colheita”, destaca o último relatório técnico da CNA.

“Se voltar a chover normalmente [na Argentina] as perdas podem ser mínimas, e a nossa produção também está quase tão boa quanto da safra passada”, completa Alan Malinski. Porém, ele destaca que a seca que atinge o país vizinho também vem afetando a produção do Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor de soja do Brasil.

Outro fator que impede uma maior comercialização é o cultural. “Nosso produtores preferem colher antes de ir para o mercado, o que acaba segurando mais a soja. Existem iniciativas de empresas privadas e treinamentos, e isso tem que evoluir pouco a pouco”, diz o especialista da CNA, ressaltando que isso afeta diretamente outro problema no Brasil: a capacidade de armazenagem, que fica comprometida devido aos altos estoques de grãos em silos e outros métodos de armazenamento, problema constante em 2017 e que deve se repetir em 2018, o que inclui o uso de silo bags.

Por: GAZETA DO POVO –Giorgio Dal Molin

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