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Confinamento alto grão: como adaptar os animais?

Na intensificação dos sistemas pecuários a questão tempo é dinheiro. Logo, há uma preocupação em fornecer aos animais o mais rápido possível as dietas que lhes proporcionem altos desempenhos. Para obter melhor eficiência no uso de dietas de alto grão, com pouca ou nenhuma oferta de volumoso (ex: pastagem, feno e silagem), é recomendada a inclusão gradual de alimentos concentrados durante o período inicial ou de adaptação.

Normalmente no Brasil, os bovinos são mantidos exclusivamente em pastagens. Portanto, faz-se necessário o preparo do sistema digestivo destes animais para processar e aproveitar de forma efetiva alimentos concentrados. Isso requer tempo. A explicação fisiológica para isso é que, com o aumento na quantidade de concentrado oferecida, há uma redução na população de microorganismos que degradam fibra (volumoso) e um crescimento rápido na quantidade dos que degradam amido (concentrado). Esse período leva normalmente entre 14 e 21 dias.

Uma adaptação mal feita pode causar consequências graves. De forma simplificada, a dieta concentrada tem uma intensidade de fermentação maior. Assim, enquanto os microrganismos ruminais não têm competência para aproveitar o excesso de ácidos produzidos, ocorre uma queda brusca no pH ruminal (acidose). Essa situação promove um desconforto aos animais e a subsequente queda no consumo. Por comer pouco, no próximo dia ocorre um consumo exagerado de alimento, gerando novamente o desconforto.  Esta flutuação no consumo, por si só, reduz o ganho de peso. A não reversão do quadro de acidose leva a ocorrência de distúrbios metabólicos e possível perda de animais.

Nesta fase, o aumento de concentrado deverá ser feito de forma gradativa (distribuído em 2 a 3 semanas) até a retirada total da porção volumosa da dieta. O controle da oferta de concentrado no período inicial é muito importante devido à variação de animais dentro do lote, tanto em tamanho como em comportamento (dominância), o que pode fazer com que alguns possam ingerir quantidade excessiva de concentrados, prejudicando o processo. Diversos estudos mostram que o desempenho é prejudicado quando os animais tinham acesso à vontade às dietas de adaptação.

A observação constante dos lotes, especialmente neste período crítico, é fundamental. Ainda, o escore de fezes é uma importante ferramenta para avaliar se os animais estão se adaptando de forma adequada ao novo sistema nutricional.

Por fim, para obtermos elevados ganhos de peso, é preciso preparar os animais para o desafio ao qual serão submetidos. Ou seja, respeitar o tempo necessário de adaptação do sistema digestório para aproveitar uma alimentação rica em nutrientes concentrados e minimizar os riscos à saúde. 

Daniele Furian Araldi*

Lucas Carvalho Siqueira**

*Zootecnista, Mestre em Produção Animal, Docente dos Cursos de Medicina Veterinária e Agronomia/Área de Produção Animal da Universidade de Cruz Alta.

** Médico Veterinário, Doutor em Fisiopatologia da Reprodução, Docente do curso de Medicina Veterinária e Mestrado Profissional em Desenvolvimento Rural/Área de Produção Animal da Universidade de Cruz Alta.

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