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Novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático para arroz irrigado no RS ganha mais precisão

Uma parceria entre a Embrapa, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) acaba de aprimorar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático do Arroz Irrigado no Rio Grande do Sul (ZARC Arroz Irrigado/RS). A nova tecnologia agora incorpora o SimulArroz, um modelo de simulação desenvolvido pela universidade gaúcha que estima a produtividade do cereal em diferentes regiões do estado.

A versão anterior do ZARC levava em consideração temperatura do solo, temperatura mínima do ar e radiação solar durante as fases críticas da planta e dados médios de produtividade obtidos em experimentos de campo para estabelecer os períodos de semeadura. Com o SimulArroz, o novo modelo apresenta mais precisão e oferece mais resultados ao usuário.

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Agora, é possível estimar a produtividade do arroz irrigado em diferentes regiões gaúchas e, assim, estabelecer níveis de risco de 20%, ou 80% de sucesso; 30% (70% de sucesso) ou 40% (60% de sucesso) com base em cálculo matemático que leva em consideração as produtividades relativas dos últimos 30 anos de acordo com o período de semeadura, os dados climáticos e o grupo de cultivares em cada município produtor.

Desenvolvidos pela Embrapa e instituições parceiras, desde 1996, os Zoneamentos Agrícolas de Risco Climático indicam ao produtor o período mais adequado para realizar a semeadura, minimizando os riscos em função de eventos climáticos adversos, mas sem considerar uma simulação de produtividade, como faz o novo modelo. Os dados também permitem a instituições financeiras e ao governo verificar se os produtores obedecem aos períodos corretos de semeadura e, assim, embasar a concessão de crédito para implantação das lavouras, além de prever a cobertura por seguro desses créditos em caso de perdas, como é o caso do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

Aprimoramento do seguro agrícola

Segundo o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) Silvio Steinmetz, a novidade em se estabelecer níveis de risco a partir da simulação de produtividade é a possibilidade de, futuramente, realizar o seguro agrícola em função da possível renda do produtor, em vez do modelo atual que garante a cobertura apenas do crédito adquirido para o estabelecimento das lavouras. “Se o produtor perdeu por questão climática, pode solicitar a cobertura. Só que os seguros hoje cobrem mais o financiamento do que a renda. Mas, se o produtor perder, não perde apenas a parte financiada da lavoura. Então, para assegurar a renda, é necessário se trabalhar com níveis de risco e de produtividade”, explica.

“Esse é o primeiro zoneamento agrícola de risco climático no Brasil baseado em produtividade estimada por modelo de simulação de processos”, afirma Steinmetz. Os zoneamentos anteriores também indicavam um calendário de semeadura com menor risco climático, porém, sem utilizar simulação, mas baseando-se em experimentos de campo. “Em função da probabilidade de ocorrência de variáveis como temperatura do solo, temperatura mínima do ar e radiação solar nas fases críticas da planta e dos dados experimentais de épocas de semeadura, se definiam os períodos de semeadura mais adequados para cada grupo de cultivar”, conta o cientista sobre a versão.

Agora, as estimativas de produtividade do SimulArroz é que serão levadas em consideração. O sistema foi desenvolvido, calibrado e validado para o Rio Grande do Sul pela UFSM. O modelo consegue prever o desenvolvimento em condições de campo considerando fatores relacionados ao solo, clima e planta, bem como ao manejo da cultura; e estimar a produtividade, ou rendimento, tanto para uma determinada cultivar como para grupos de cultivares.

A elaboração de zoneamentos que indiquem os períodos recomendados de semeadura é importante, porque, apesar de o Rio Grande do Sul ser o maior produtor de arroz irrigado do Brasil, responsável nas últimas safras por cerca de 70% da produção nacional, há uma variabilidade razoável de produtividade nas lavouras ao longo dos anos em função das condições climáticas. De acordo com Steinmetz, a Embrapa ainda está desenvolvendo um projeto para criar um modelo semelhante para as culturas de sequeiro, como arroz, feijão, soja e milho – que atualmente utilizam o modelo de balanço hídrico para indicação de riscos, de acordo com a época de semeadura.

 

ZARC: 22 anos avaliando riscos da lavoura

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) teve início no Brasil na safra de inverno de 1996 para a cultura do trigo. Nas safras de verão de 1996/1997 foi ampliado para as culturas do algodão, feijão, milho, soja e arroz irrigado, inclusive no Rio Grande do Sul.

As lavouras de sequeiro de algodão, arroz, feijão, milho e soja passaram a utilizar o ZARC na safra de verão 1997/1998.

Atualmente, a tecnologia abrange 25 estados e mais de 40 culturas e é uma das mais importantes ferramentas utilizadas pelos sistemas bancário e securitário para concessão de créditos e avaliação de seguro rural. Hoje, o ZARC é considerado um importante auxílio a essas instituições que, antes de sua criação, não tinham como avaliar os riscos agrícolas para cada cultura, o que exige cálculos com diversas variáveis e que se alteram para cada região.

 

Francisco Lima (MTb 13.696/RS) 
Embrapa Clima Temperado 

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