Safra verão: estratégias para otimizar o uso da água no estabelecimento do milho e da soja

Safra verão: estratégias para otimizar o uso da água no estabelecimento do milho e da soja

Indiscutivelmente, a água é um dos recursos mais valiosos para a agricultura. Diante das mudanças climáticas intensificadas e seus reflexos nas últimas safras no Rio Grande do Sul, sua gestão estratégica torna-se fundamental para a sustentabilidade e a produtividade do milho e da soja, pilares da economia agrícola do estado.

Mas, afinal, como podemos melhorar o uso da água? A resposta não é simples, pois envolve uma combinação de tempo, conhecimento e planejamento.

Um manejo mais eficiente da água inicia no planejamento do sistema de produção que vai além de uma safra isolada. Porém, em curto prazo, as escolhas da safra de inverno são importantes e repercutem diretamente na de verão. Nesta linha de raciocínio, propriedades que enfrentam problemas recorrentes com estresses ambientais têm na safra de inverno uma excelente oportunidade para implementar adequações que apresentam potencial de incrementar a rentabilidade na safra posterior.

Para isso, o planejamento do sistema de rotação de culturas que também prioriza a rotação de raízes e o uso de tecnologias adaptadas ao nível tecnológico das propriedades são pontos de destaque para a melhoria dos atributos de qualidade do solo e para o melhor aproveitamento da água.

Vale considerar que o solo pode ser uma “grande caixa de água”? Sim! Desde que as suas características físicas, químicas e biológicas permitam que o sistema radicular das culturas explore o máximo potencial no seu perfil, de acordo com as particularidades de cada talhão em cada propriedade rural.

As plantas de cobertura cultivadas no inverno na Região Sul são grandes aliadas para contribuir com incrementos no tripé da qualidade do solo. A adoção de consórcios dessas plantas é mais interessante que cultivos isolados devido a diversidade de raízes e aos exsudatos radiculares – importantes para a microbiota e atividade enzimática do solo. Além disso, o uso delas em cultivo consorciado proporciona maior proteção ao solo, amplia o acúmulo de massa verde e radicular e potencializa a ciclagem de nutrientes de espécies selecionadas. Esses fatores, resultantes da escolha de plantas com características desejáveis, atuam na construção da fertilidade e melhoram o uso da água, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento do milho e da soja.

A adoção de práticas conservacionistas aliadas ao planejamento e a aplicação de conhecimento por cm2 na rotina das propriedades rurais em planejamentos de curto, médio e longo prazo são preponderantes para a otimização do uso da água em cultivos de sequeiro. No momento que aprendemos as lições de estiagens sucessivas, as aplicações de práticas de manejo – baseadas em diagnósticos personalizados – se tornam indispensáveis para a otimização do retorno sobre cada real investido.

Nesse contexto, o investimento em consultorias especializadas que balizam a tomada de decisão com base em dados robustos para a definição de estratégias de manejo – de acordo com o perfil tecnológico das propriedades – é preponderante para a busca da resiliência produtiva, rentabilidade e sustentabilidade nos sistemas de produção.

Prof. Dr. André Schoffel
Docente do curso de Agronomia (UNICRUZ)
Pesquisador na AGM Pesquisa e Consultoria

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