O avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia marca uma nova etapa para o agronegócio brasileiro, especialmente para a indústria ligada à produção agrícola. A ampliação do acesso a mercados internacionais, junto com a redução de tarifas e o aumento das exigências socioambientais e de rastreabilidade, tende a pressionar o setor por mais eficiência, produtividade e modernização tecnológica.
Com consumidores europeus cada vez mais atentos à origem dos produtos, ao impacto ambiental e aos padrões de qualidade, as empresas brasileiras do agronegócio devem intensificar investimentos em máquinas e equipamentos mais modernos, capazes de atender a essas demandas e manter a competitividade no cenário internacional. A movimentação pode envolver a renovação de tratores e colheitadeiras, além da adoção de tecnologias que aumentem a precisão e reduzam desperdícios durante os processos produtivos.
Para Thiago Savian, Diretor Comercial da Unifisa, o acordo reforça uma transformação que já tem sido observada no setor.
“A indústria agro já vinha avançando em tecnologia, mas esse novo cenário internacional acelera ainda mais esse processo. Isso acontece porque para acessar mercados mais exigentes é necessário investir em maquinário moderno”.
Segundo o executivo, o desafio está em viabilizar esses investimentos sem comprometer a saúde financeira das empresas, especialmente em um contexto de juros elevados e dificuldade de acesso a crédito.
“O consórcio, por não contar com juros, apenas taxas administrativas, passou a ser uma ferramenta estratégica para renovar o maquinário e para ampliar a capacidade produtiva na indústria do agronegócio, gerando um menor impacto financeiro e mantendo o equilíbrio do fluxo de caixa”, explica Savian.
Esse movimento já se reflete nos números do setor. De acordo com a ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), o consórcio de máquinas agrícolas cresceu paralelamente ao avanço do agronegócio e registrou alta de 110,9% nas adesões entre janeiro e agosto ao longo dos últimos seis anos. No período, as vendas passaram de 32,27 mil cotas, em 2020, para 68,05 mil em 2025, indicando a procura por esse modelo de aquisição de bens.
Isso mostra que a tendência é que esse tipo de solução ganhe ainda mais espaço à medida que o setor busque crescimento sustentável em um ambiente de competitividade internacional.
“Quem consegue planejar esses investimentos com antecedência sai na frente, especialmente no contexto de abertura comercial e exigências cada vez maiores por eficiência e sustentabilidade”, conclui.






