Com a chegada da primavera, a grande questão que paira sobre o agronegócio gaúcho é qual será o cenário climático do próximo verão. A principal aposta é a transição para La Niña, que, embora possa ser de intensidade fraca, deve influenciar o clima, especialmente entre os meses de novembro e janeiro.
A transição das fases do fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS) não é brusca. A previsão indica que até outubro devemos ter chuvas acima da média. Essa tendência, no entanto, muda a partir de novembro. Com a possível consolidação da La Niña, o cenário tende a ser de menos chuvas na maior parte do estado, o que exige atenção redobrada no planejamento das lavouras. A boa notícia é que, com o esperado enfraquecimento do fenômeno a partir de fevereiro, é provável que as chuvas se restabeleçam.
Apesar da forte influência do ENOS, é crucial lembrar que ele não é o único fator a determinar as chuvas no verão gaúcho. O Oceano Atlântico Sul também exerce um papel importante, mas sua previsibilidade é geralmente limitada apenas duas semanas. Isso significa que, embora as projeções a longo prazo nos ajudem a entender as tendências, não há motivos para pânico. A chave para o sucesso é o planejamento estratégico, não a ansiedade.
A La Niña traz diferentes desafios e oportunidades para as culturas de verão. Para o milho safra, a tendência é de maior risco de deficiência hídrica, especialmente no pendoamento, que pode coincidir com o período de chuvas abaixo da média. Já para a safrinha, as perspectivas melhoram. Com a previsão de restabelecimento das chuvas no final do verão, a cultura pode se beneficiar de um período mais favorável, reduzindo os riscos de perdas.
A soja também exige um olhar cuidadoso. Semear um pouco mais tarde e utilizar cultivares ligeiramente mais tardias podem não ser más ideias. Tendo em vista o enfraquecimento da La Niña a partir de fevereiro, essas estratégias podem colocar o período de enchimento de grãos sob condições mais favoráveis, trazendo resultados mais interessantes.
Diante deste cenário, a resposta não está apenas na previsão, mas, sobretudo, na capacidade de se adaptar. A grande lição é que o sucesso da lavoura está diretamente ligado a um planejamento bem executado. O futuro da agricultura demanda que os produtores dominem, dentre outras, especialmente duas habilidades essenciais: manejo de solo e gestão de custos. Um perfil de solo adequado – química, física e biologicamente – é fundamental para aumentar a resiliência das plantas a períodos de estresse hídrico.
Além disso, sob escassez, a gestão de custos se tornará ainda mais crucial. O cenário global de preços flutuantes e o aumento dos insumos exigem um controle financeiro rigoroso da propriedade. Em um futuro não muito distante, essas duas habilidades – manejo de solo e gestão – serão o diferencial que separará os produtores de sucesso daqueles que enfrentarão sérias dificuldades. A previsão climática, embora importante, é apenas uma ferramenta; a ação e o planejamento estratégico determinam a verdadeira colheita.






