Apesar das incertezas sobre o fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS), já existe conhecimento suficiente para orientar decisões. Por isso, não é justificável que, na agricultura, na defesa civil ou em outras atividades afetadas pelo clima, a dúvida sirva como desculpa para a INAÇÃO.
Depois de 43 anos de convivência (desde o El Niño de 1982/83), conscientes pelo menos, com a variabilidade climática associada às fases (El Niño e La Niña) do fenômeno El Niño Oscilação Sul, não nos cabe mais alegar surpresas, ainda que não dissociadas de incertezas, do que podemos esperar, em termos de variabilidade climática extrema no sul do Brasil, em anos de La Niña e em anos de El Niño.
Indiscutivelmente, nos anos de La Niña chove menos no sul do Brasil (2021 e 2022 são bons exemplos), enquanto nos de El Niño (1982, 1997, 2015 e 2023 corroboram essa assertiva) chove mais, especialmente na primavera, embora as demais estações também possam ser impactadas. A partir dessas variações climáticas, consolidou-se no imaginário de muitos que, para a agricultura regional, os anos de La Niña são favoráveis ao trigo e aos demais cultivos de inverno, mas prejudiciais à soja e às culturas de verão. Já os anos de El Niño, que em alguns casos realmente não foram bons, são frequentemente vistos de forma apressada como quase trágicos para o trigo, embora, em contrapartida, sejam considerados excelentes para a soja.
Entenda-se, vez por todas, que saber lidar com as fases extremas do fenômeno ENOS, no caso da agricultura, envolve tanto estar preparado para a mitigação de efeitos adversos causados pelo clima quanto saber aproveitar as condições ambientes favoráveis para os cultivos. Há padrões de variabilidade climática extrema no sul do Brasil que, apesar da variação interanual em magnitude, se reproduzem a cada El Niño e a cada La Niña.
O fenômeno ENOS é caracterizado por sua recorrência, ainda que aperiódica, alternando entre as fases quente (El Niño) e fria (La Niña) em ciclos que variam de 2 a 7 anos, além de apresentar alto nível de incerteza quanto aos seus impactos. Ainda assim, os eventos passados permitem extrair lições importantes, que ajudam a lidar melhor com a variabilidade climática típica dessas fases extremas.
As projeções indicam que o El Niño deverá dar o ar da sua graça no segundo semestre de 2026. Que estejamos preparados para esperá-lo!


















