No mês de julho, os investimentos ligados ao agro chamaram atenção no mercado financeiro, registrando um salto superior a 300% na B3. Lucas Goulart, sócio-fundador da Rio Negro Investimentos, analisou os fatores por trás desse movimento e compartilhou o que podemos esperar daqui pra frente.
Crescimento histórico dos derivativos de boi gordo
A B3 registrou um crescimento recorde na negociação dos derivativos de boi gordo. O volume financeiro total, considerando contratos futuros, opções e rolagens, mais que triplicou em relação ao mesmo período de 2023.
Apesar do desempenho recente dos contratos indicar um movimento lateral, com leve inclinação negativa, Goulart aponta dois fatores centrais que ajudam a explicar o aumento do interesse e da liquidez nesse mercado.
1. Melhorias na estrutura da B3
Nos últimos meses, a Bolsa implementou ajustes importantes que favoreceram o ambiente de negociação:
- Redução da margem de garantia, facilitando a entrada de novos investidores;
- Novo indicador de liquidação, agora a cargo da Datagro, trazendo mais credibilidade e eficiência;
- Possibilidade de abertura de opções com vencimento no mesmo dia, ampliando a flexibilidade operacional.
Essas mudanças aproximaram ainda mais produtores e investidores do mercado de derivativos.
2. Mudança cultural dos produtores
Outro ponto destacado por Goulart é o avanço da mentalidade dos pecuaristas brasileiros. Gradualmente, eles passam a enxergar os derivativos não apenas como operações especulativas, mas como ferramentas estratégicas de mitigação de risco.
“Aqui na Rio Negro costumamos dizer que o primeiro passo é o cliente conhecer as operações e criar o hábito de fazer cotações ao longo do ano. Com o tempo, especialmente no caso do boi, ele entende que incluir o custo da operação no seu custo de produção e realizar essas travas anualmente garante margens mínimas e evita depender de picos de mercado”, explica Goulart.
O que esperar daqui pra frente?
Para o sócio da Rio Negro Investimentos, o cenário deve seguir de consolidação. A tendência é que mais produtores se familiarizem com os contratos futuros e opções, fortalecendo a cultura de gestão de risco no agronegócio brasileiro.
Além disso, a maior liquidez abre espaço para o crescimento de novos players no mercado, seja de investidores institucionais, seja de produtores que ainda não utilizam derivativos como estratégia de proteção.
Em um setor em que as margens podem variar significativamente de acordo com preços e sazonalidade, a profissionalização das operações financeiras surge como um passo natural para a sustentabilidade da pecuária.





